Adolescentes Agressivos – Como lidar com eles?

Carlos T. GrzybowskI

O filho estava jogando com os amigos na sala e a mãe se aproximou interessada pelo jogo e perguntou se poderia experimentar. Tentou uma vez – falhou, uma Segunda, também falhou. Na terceira falha o filho a empurrou e gritou:

– Sua burra, você não sabe de nada!

A mãe saiu chorando e foi para o quarto se questionar: o que eu fiz, porque ele é sempre tão agressivo comigo?

Essa é a pergunta que muitas mães e pais se fazem ao se verem impotentes diante de adolescentes que usam da agressividade para controlá-los e queremos refletir um pouco sobre esta situação.

Um dos primeiros e grandes erros dos pais é ler e acreditar em preceitos da “psicologia popular”. São inúmeros artigos de revistas e uma série de profissionais sem suficiente conhecimento científico orientando pais a darem liberdade total aos filhos enquanto são crianças, afirmando que com isso a criança será mais criativa e menos reprimida.

Falsa ilusão. Toda criança, desde a mais tenra idade, precisa conhecer os seus limites. Limites dentro dos quais ela pode crescer e se desenvolver em todo o seu potencial e em segurança, sentido-se amada e cuidada pelos pais – que tem exatamente esta função. Pais extremamente permissivos, que temem dizer não a seus filhos sofrerão conseqüências desastrosas quando estes filhos tornarem-se adolescentes.

O ser humano é insaciável em seus desejos e a medida do contentamento é sempre: UM POUCO MAIS! Quando a criança que nunca teve limites expressos claramente pelos pais chega à adolescência, seus desejos se multiplicam e muitas vezes ela passa a intimidar os pais com a violência para que eles satisfaçam àquilo que ela deseja. Diz um ditado popular que um desejo satisfeito gera 7 filhos e por isso a falta de limites sempre ocasionará problemas.

Portanto pais, cuidado com estas leituras populistas que distorcem princípios da psicologia. Colocar limites não significa espancar os filhos ou dizer sempre não a qualquer solicitação deles. Significa outrossim ensiná-los a trabalhar com os elementos da realidade e das possibilidades. Às vezes castigá-los por violarem princípios e valores e gerarem situações que levem à patologizações da personalidade. O convívio humano pressupõe regras e regras vem acompanhadas de limites. Pais sábios ensinam os filhos estes limites para que eles se tornem adultos bem integrados ao meio social.

Um outro extremo são os pais que tornam-se violentos com os filhos. Em geral são pais que tem conflitos entre si ou mesmo que tiveram uma educação conflitiva e não procuram trabalhar sua personalidade a fim de que possam melhorar o relacionamento com os filhos.

São aqueles pais que dizem: “Meus pais fizeram assim comigo e, se foi bom pra mim vai ser bom pro meu filho”! Não pensando que o mundo evolui numa velocidade espantosa e que as pautas educacionais que eram adequadas em uma época, já não o são para a geração seguinte. Com certeza os nossos avós nunca tiveram conflitos com os filhos sobre o uso do computador ou da Internet, simplesmente porque não havia isto naquela época, mas hoje os pais necessitam aprender a lidar com este tema.

Finalmente existem ainda as situações nas quais a agressividade dos filhos é despertada pelos próprios pais. São pais que usam os filhos numa disputa interminável com o cônjuge e acabam neurotizando o adolescente que reage com agressão.

Estes pais tem uma relação conflitiva entre si e procuram uma aproximação com o(a) filho(a) como uma forma de ter força para combater com o cônjuge. Desta forma quando um dos pais permite o filho algo o outro proíbe e vice-versa, deixando o adolescente confuso e reagindo, muita vezes com agressividade contra os próprios pais ou mesmo contra si mesmos.

A agressividade do adolescente contra si mesmo pode adquirir formas sutis de expressão como o uso de roupas, “pierces”, cortes de cabelo, tatuagens, etc. Deve-se estar atento a estas expressões porque ela podem ocultar sentimentos negativos profundos que podem levar a sérios desajustes de personalidade no futuro.

A melhor orientação que podemos dar aos pais é que quando percebem a agressividade por parte dos filhos, devem ter uma atitude a aproximação e não de afastamento. Lembrar que a agressividade é um sintoma e não o problema em si. Este, em geral, está em raízes mais profundas.

Procure ser amigo de seu filho, em primeiro lugar interessando-se pelo mundo dele. Conheça seus amigos, seus gostos musicais, o nome dos conjuntos de rock prediletos. Saiba quais atividades o agradam e quais o desagradam e porque.

Proponha então terem atividades em conjunto. Coisas que vocês poderiam fazer juntos e que agradassem a ambos. No ano passado eu fiz uma economia especial somente para levar meu filho adolescente à corrida de Fórmula 1, pois ele gosta muito deste tipo de esporte. Passamos três dias juntos em São Paulo, além de assistirmos os treinos e a corrida propriamente dita. Foi um tempo inesquecível onde pudemos conversar muito, comer sanduíches e tomar chuva juntos, rir e contar piadas, bem como falar sobre coisas sérias. Lembro-me que no final da aventura, voltando de ônibus para o centro de São Paulo, ele, exausto, encostou a cabeça em meu ombro e adormeceu. Lembrei dos tempos que ele era bebê e que dormia em meu colo e pensei comigo: ele ainda tem a confiança de descansar em meus braços – a mesma confiança que temos que ter com nosso Pai celestial.

Assim como Deus tem profundo interesse em nossa vida, devemos ter a mesma atitude com nossos filhos, pois o amor vence qualquer agressividade!

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