Administrando Perdas Familiares

Carlos T. Grzybowski

II Coríntios 1:3-5:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda a consolação! É ele que nos conforta e, toda a nossa tribulação, para podermos consolar aos que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós somos contemplados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Mas se somos atribulados é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos. A nossa esperança a respeito de vós está firme, sabendo que, como sois participantes dos sofrimentos, assim o sereis da consolação… para que não confiemos em nós, e sim, no Deus que ressuscita os mortos”.

Uma das maiores dificuldades que enfrentamos como seres humanos é lidar com o sofrimento ligado à perda. Todos nós sofremos perdas. Há momentos em que sentimos que não conseguiríamos suportar.

Estou compartilhando com vocês estas palavras de Paulo, outro “homem de dores que sabia sofrer”. Apedrejado, náufrago, rejeitado pelo seu povo, sacudido pelas intempéries da vida, ele nos assegura, ainda assim, que Deus é o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação.

Queremos começar esta palestra reconhecendo que Deus é Pai de misericórdia e consolação. Muitas vezes, não podemos entender a Sua vontade, muito menos os Seus caminhos. Nem sempre nos é possível compreender o que Deus faz. Mas podemos ter certeza de que Ele é. Temos que nos ater ao caráter de Deus e entrar em contato com o Deus que nos consola em todas as tribulações.

Em primeiro lugar, Ele nos consola e nos conforta. Seu aspecto consolador é tão inerente ao Seu caráter que o Espírito Santo, quando estava para ser derramado sobre os apóstolos, era chamado de “Consolador”. Ainda que Deus permita muitas situações incompreensíveis nas nossas vidas, Ele não nos deixa sós e não nos deixa desamparados, enfim, não nos deixa órfãos – ele nos consola.

A finalidade deste consolo é para que consolemos a outro. Não somos os únicos a sofrer. Todos ao nosso redor também sofrem. Precisamos crer no consolo de Deus em primeira mão. Isto significa crer que posso consolar porque eu fui consolado(a). Os que sofreram e foram consolados, foram também iniciados no ministério da consolação.

E como todo iniciado conhecemos os segredos e caminhos desta vivência de forma progressiva. Podemos nos compadecer a identificar com o sofrimento do outro, porque sabemos aonde nos dói também. Ainda que a situação seja diferente, a dor é a mesma.

Para que?

Ao entender os processos das crises ocasionados por perdas e ao aprender formas práticas de intervenção, nós estamos capacitados para utilizar os espaços, o tempo e as circunstâncias que contribuem para a recuperação emocional das famílias, pessoas afetadas e a mobilização dos recursos da comunidade para seu desenvolvimento integral. Devemos estar cientes que nenhuma pessoa irá produzir a recuperação emocional, e sim, unicamente, facilitá-la.

As reações iniciais decorrentes de uma perda significativa são normais, naturais e necessárias para a recuperação emocional. É muito importante aceitar as emoções pelas quais a pessoas está passando como algo que ela necessita passar para recuperar-se.

“As manifestações de uma crise secundária ou crise posterior”

Qualquer manifestação de uma crise secundária deve ser encaminhada a um profissional especializado na área, tais como psicólogos, psiquiatras, terapeutas familiares, etc.

As crianças são as que mais sofrem com as perdas, mas são as que mais rapidamente se recuperam se tiver a ajuda necessária. Os adultos devem fazer todo o possível para facilitar o processo de recuperação emocional delas.

No trabalho com crianças a honestidade e transparência são fundamentais. O adulto jamais deve mentir às crianças. Não deve ocultar seu próprio sofrimento. À medida que as crianças percebem que os seus pais ou os adultos ao seu redor sofrem também se sentirão mais à vontade para expressar o que estão sentindo. O exemplo do adulto é muito importante. É inútil encobrir o sofrimento. Pior, pode levar a conseqüências graves como no caso das crises secundárias.

Todo trabalho com crianças deve envolver os familiares, sempre que possível. Devemos tentar nos aproximarmos das famílias envolvidas para orientá-las neste processo. Muitas vezes, eles também estão sofrendo e não sabem como lidar com o seu sofrimento ou com o sofrimento da criança. Uma orientação à família pode servir muito e evitar problemas maiores no futuro.

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